Mensalão: ninguém será preso antes de 2013, diz Thomaz Bastos

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Em entrevista concedida ao jornal Folha de S.Paulo, publicada nesta quarta-feira, o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, que defende um ex-executivo do Banco Rural no processo do mensalão, calculou que o julgamento só deve ser concluído em 2013 e que, antes disso, nenhum dos réus do caso deve ser preso, mesmo se condenado agora. “Não termina (em 2012). Não acredito que termine, (ou) que haja a menor hipótese de terminar”, afirmou o ex-ministro. Segundo ele, no ritmo atual, as sessões tomarão o mês de setembro e podem “até entrar em outubro”. Após, em “alguns meses” será publicado o acórdão, o resumo com os votos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e eventuais penas. “Eu estou adiando a aposentadoria por conta disso”, disse ele, hoje com 77 anos.

Com o “julgamento em si” concluído em meados de outubro, para Bastos seria improvável o acórdão ficar pronto antes do fim do ano, tendo em vista que o STF entra em recesso na metade de dezembro. “O acórdão é longo. Tem que passar pela revisão do relator, dos outros ministros, todos, para ver se suas posições estão corretas. Acho que isso leva alguns meses. No mínimo”, disse o advogado. Após a publicação do acórdão, o Supremo receberá os chamados embargos de declaração, ações contestando possíveis incongruências na redação, o que pode ser apresentado por advogados e pelo Ministério Público. Como o acórdão do mensalão deve ser volumoso, “com mais de mil páginas”, haveria uma enxurrada de embargos no STF. Segundo Bastos, os recursos serão julgados em 2013 e, só depois do acórdão definitivo ser publicado é que o processo do mensalão ganhará a condição de “transitado em julgado” – jargão jurídico para definir o momento em que não caberá mais nenhum tipo de recurso. Só então mandados de prisão poderão ser expedidos, se for o caso. “Mesmo depois do acórdão publicado, existem embargos que impedem que o acórdão transite em julgado. Então, se houver mandado prisão, ele será expedido quando a sentença transitar em julgado. Está sumulado pelo Supremo”, destaca Thomaz Bastos.

Bastos defende o ex-vice-presidente do Banco Rural José Roberto Salgado
Foto: STF/Divulgação

O mensalão do PT

Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) e que ficou conhecido como mensalão. Segundo ele, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Após o escândalo, o deputado federal José Dirceu deixou o cargo de chefe da Casa Civil e retornou à Câmara. Acabou sendo cassado pelos colegas e perdeu o direito de concorrer a cargos públicos até 2015.

No relatório da denúncia, a Procuradoria-Geral da República apontou como operadores do núcleo central do esquema José Dirceu, o ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, e o ex- secretário-geral Silvio Pereira. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genoino e Delúbio respondem ainda por corrupção ativa.

Em 2008, Sílvio Pereira assinou acordo com a Procuradoria-Geral da República para não ser mais processado no inquérito sobre o caso. Com isso, ele teria que fazer 750 horas de serviço comunitário em até três anos e deixou de ser um dos 40 réus. José Janene, ex-deputado do PP, morreu em 2010 e também deixou de figurar na denúncia.

O relator apontou também que o núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto pelo empresário Marcos Valério e seus sócios (Ramon Cardoso, Cristiano Paz e Rogério Tolentino), além das funcionárias da agência SMP&B Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Eles respondem por pelo menos três crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

A então presidente do Banco Rural Kátia Rabello e os diretores José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório foram denunciados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, respondem a ações penais por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken é processado por peculato. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi denunciado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) responde a processo por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia inclui ainda parlamentares do PP, PR (ex-PL), PTB e PMDB. Entre eles o próprio delator, Roberto Jefferson.

Em julho de 2011, a Procuradoria-Geral da República, nas alegações finais do processo, pediu que o STF condenasse 36 dos 38 réus restantes. Ficaram de fora o ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken e do irmão do ex-tesoureiro do Partido Liberal (PL) Jacinto Lamas, Antônio Lamas, ambos por falta de provas.

A ação penal começou a ser julgada em 2 de agosto de 2012. A primeira decisão tomada pelos ministros foi anular o processo contra o ex-empresário argentino Carlos Alberto Quaglia, acusado de utilizar a corretora Natimar para lavar dinheiro do mensalão. Durante três anos, o Supremo notificou os advogados errados de Quaglia e, por isso, o defensor público que representou o réu pediu a nulidade por cerceamento de defesa. Agora, ele vai responder na Justiça Federal de Santa Catarina, Estado onde mora. Assim, restaram 37 réus no processo.

Com Informações Folha.com
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